Eu também sei criar um filho!

Todo dia de manhã, quando estou lendo jornal no sofá, meu filho acorda, vem até mim, sobe no meu colo e fica bem encolhido, ainda com aquele resto de sono. Esta é minha rotina diária há muitos anos. Outro dia pensei se meu filho teria essa atitude se eu não tivesse sido o pai que fui quando ele ainda era bebê.

Vejo muitas mulheres reclamarem que estão cansadas, que não dão conta de tudo e que seus maridos não ajudam muito. Sei que em muitos casos elas estão certas, até porque conheço alguns desses tipos de maridos… Mas, em outros, o que falta é a sensibilidade de ambos.

Vou citar um exemplo próprio. Quando meu filho tinha alguns meses, tive uma discussão com minha esposa. Ela tinha obsessão por horários. Eu era mais maleável. Um dia quis atrasar uns 20 minutos o almoço do bebê, para não chegarmos atrasados a um almoço de família. Ela disse que estava errado pois o bebê tinha hora certa de comer e eu disse que ele não morreria por causa de daqueles minutos a mais. A discussão prosseguiu e por fim soltei: “ele também é meu filho e sei que posso criá-lo tão bem quanto você, mas do meu jeito!” Esse momento foi um divisor de águas na minha relação com o Gabriel.

Passei a ficar mais presente na sua criação, dividir tarefas, mas tudo do meu jeito. Isso só foi possível porque a esposa “liberou” o espaço para que o pai pudesse entrar. É claro que nem tudo sai como ela acha que deve ser. Uma vez, ele ainda bebê, acordou de madrugada e ela, exausta, nem percebeu. Saí correndo, dei o leite, botei para arrotar, troquei a fralda e voltei a dormir. No dia seguinte ela me disse ter adorado a minha iniciativa, apesar da fralda estar completamente torta!

A mulher está sempre no limite do tempo. E, muito mais que isso, é dado a ela socialmente o papel de cuidar dos filhos. Mas, para o homem, como irrita aquela afirmação da mãe: “só eu sei cuidar da família!” Esse é o tipo de pressão que só serve para alimentar a maior das culpas da humanidade: a culpa de mãe! A mulher é, no geral, mais detalhista que o homem sim, mas acreditem, seu filho vai sobreviver! O que muitas mulheres fazem é construir sobre esta culpa a sua auto-afirmação perante a família, a sociedade e si mesma. Isso é um erro! É o estigma da super-mulher que dá conta de tudo. Se você está nesta roda viva, saia já, pois o abismo é certo!

A mãe deve ceder espaço ao pai. Acredite! Nós podemos! Todos saem ganhando! Vejo isso hoje com meu filho. Hoje ele tem tanta segurança comigo quanto com a mãe. Eu criei um laço forte e a mãe, dentre outras coisas, ficou com mais tempo para cuidar de si mesma. Sim, mulheres! Isso também é fundamental! Sem culpas, hein! Uma vez cheguei em casa e, assim que abri a porta, a minha esposa me “jogou” o filho nos braços e disse: “toma, vou pro shopping!” Gabriel tinha poucos meses. Voltou três horas depois! Mulheres, coragem! Você pode até chorar no carro quando estiver indo, se sentindo péssima! Mas garanto que voltará uma mãe e esposa ainda melhor, mais feliz! Detalhe: fiquei em pé com o bebê durante duas horas tentando fazê-lo parar de chorar. Mas sobrevivemos.

Se a fralda ficar torta ou ele for para a escola com a roupa amassada, isso não deve servir de desculpa para alimentar a “culpa de mãe”. Conversem. Agora, se o seu marido é daqueles, digamos, preguiçoso… Tenha uma conversa séria sobre os laços entre pai e filho. Diga que se ele acha que só entrará na relação quando a criança tiver idade para ir ao Maracanã, está enganado! Há essa crença entre os homens: as mães criam na infância e os pais na adolescência. Mas uma relação se constrói com tempo e dedicação. Não esqueça de dizer também que você tem sua individualidade, seus sonhos e desejos e que gostaria de realizá-los. O importante numa família é a felicidade de todos.

 

Música boa…

Minha indicação desta vez é a música “Move on up”, de Curtis Mayfield. Grande músico, tocou ao lado de Marvin Gaye, Stevie Wonder, dentre outros. Também seguiu carreira solo e foi de grande influência para a soul music nos anos 70. Faleceu em 1999. Essa música fala sobre a necessidade de começar a agir para seguir seu destino e não temer o que está por vir. Música boa para começar a mudar a vida!

 

 

Imagem: andrechinn

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8 Comentários

  1. Roberta Cabral
    2 de janeiro de 2013 at 21:10 — Responder

    Tenho um super pai em casa, sempre presente e dividindo as tarefas, isso afirma todos os laços, os nossos como marido e mulher e nosso com nossos filhos. Mas é muito bom ver isso escrito por um homem, Parabens!!!

    • Nando Monteiro
      Nando Monteiro
      3 de janeiro de 2013 at 17:31 — Responder

      Que ótimo Roberta! A cumplicidade e o dialogo são fundamentais. Bjs

  2. 3 de janeiro de 2013 at 10:52 — Responder

    Também tenho um marido que ajuda. Mas, como mãe, assumo a vontade quase incontrolável de fazer tudo. De se achar dona da situação. Mesmo que isso, muitas vezes, seja cansativo ao extremo. Por outro lado, me questiono muitas vezes se isso é uma questão de imposição social ou – por que não? – ou instintiva. Vivemos, afinal, um turbilhão hormonal (além, é claro, de emocional!), não é mesmo? Essa seria nossa parte leoa! Mamífera. Devemos, na companhia de nossos maridos, tentar colocar nossa racionalidade à tona para podermos dividir, e fazer com que o pai seja parte ativa da educação dos filhos, e tenha, com eles, um vínculo de amor e confiança.

    Parabéns!

    • Nando Monteiro
      Nando Monteiro
      3 de janeiro de 2013 at 17:36 — Responder

      Oi Pati! Vocês dois com essa pequena então, precisam de muita troca! Ah! Só não se esqueça que até as leoas deixam seus filhotes com o leão para irem caçar.

  3. Renata Muniz
    3 de janeiro de 2013 at 11:57 — Responder

    Amei de verdade!!! Venho conversando muito com o meu marido sobre o alto índice de separações que estamos ouvindo da boca de amigos e constatamos que sempre fomos muiiito além de companheiros e grandes amigos… respeitamos nossas individualidades e os dois estão juntos (até na cozinha; querendo cozinhar). Fico muiiito feliz de ver um homem escrevendo isso pois; tenho certeza de que existem homens maravilhosos que podem ensinar muiiito a nós mulheres. Eu que levo quase tudo na ponta da faca; estou aprendendo a ser mais flexível e relaxar um pouco mais. Sempre tive horário com os meus filhos (tanto que o mais velho está com 12 anos e por incrível que pareça até as 20:30 ele já dormiu…) apenas nas férias ele tem essa flexibilidade de conseguir ficar mais tempo acordado. Meu marido é um maravilhoso pai de ter trocado e muiiiitas vezes quase sumido meu filho de hipoglós; mas sempre esteve junto comigo; graças a Deus. Aqui em casa, conversamos sempre e vamos graças a Deus caminhando nesse relacionamento de muito crescimento há 15 anos. Desejo ter muiiitos anos ao lado dele nesse laço que fique como uma semente de amor aos meus filhos e para meus futuros netos. Tudo de bom!!!!

    • Nando Monteiro
      Nando Monteiro
      3 de janeiro de 2013 at 17:39 — Responder

      Renata continue estimulando seu maridão para participar. Será melhor para todos! Muitas felicidades!

  4. Bruna Biazzi
    28 de maio de 2014 at 22:23 — Responder

    Adorei!!!

    Quem dera se todo pai fosse presente por livre e espontanea vontade! Tenho um pai que smp foi presente, e eu não vejo diferença entre ele e minha mãe, são iguais em afeto e companheirismo comigo!!
    E agora sou mãe, e por sorte, meu namorido é um excelente pai!!
    E eu smp o estimulo e retribuo sua participação.

  5. Fernanda
    12 de junho de 2014 at 8:36 — Responder

    Adoreiii! Parece que estou vendo cenas parecidas na minha casa. Meu marido, aos poucos foi conquistando seu espaço e isso foi fundamental para mim, que não tive licença maternidade e precisava trabalhar. Inevitavelmente, nós mães, na sua maioria, temos aquela sensação que só nos sabemos de tudo, que só nós conseguimos resolver tudo e isso, na maioria das vezes, torna nossas vidas mais difíceis e só faz aumentar essa tal culpa de mãe. Dividir tarefas e entender que ao parceiro, pai, não cabe só “ajudar”, o papel deles não é acessório, é fundamental tanto quanto o da mãe.

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