O trabalho insano das mães que trabalham fora

Como lidar com o famoso binômio maternidade + mercado de trabalho?

 

Mães que trabalham fora sofrem. Preconceito, culpa, burnout. É aquela coisa de matar um leão por dia, sabe como?

Precisamos falar, e falar sempre e falar muito, sobre o trabalho incansável, invisível e debilitador das mulheres que são mães e têm empregos e carreiras que fazem com que elas trabalhem fora de casa, longe de seus filhos, com uma rotina insana.

Toda mulher que trabalha fora faz tripla jornada. Por que ela já começa acordando mais cedo que todos da família para deixar o dia da casa e da criança organizado nos mínimos detalhes. Por que uma mãe que trabalha fora, precisa minimizar os imprevistos.

No segundo turno, entre uma reunião e outra, essa mãe agenda médicos, se preocupa com o supermercado atrasado, se pergunta quando o maldito livro de inglês vai chegar, liga pro transporte escolar pra checar uma coisinha, liga pro técnico da máquina de lavar por que a maldita queimou. Não tira hora de almoço, mas consegue escapar mais cedo e fica orgulhosa por que fazer supermercado tá tipo treinar pra maratona. Seu pace tá cada dia menor e você entra na fila do caixa cada dia em menos tempo. Mas não dá tempo de dar beijinho no ombro. Corre mãe! Chega em casa bem no momento que a criança está chegando na portaria com a van.

Começa o terceiro turno.

Hora de dar amor, bate papo, carinho, repetir 323 vezes pra colocar o tênis na área e a roupa no cesto, banho, esfrega bem esse couro cabeludo, jantar, por favor come tudo, não tem sobremesa terça-feira, quer uma banana? Brinca, dá um “mata leão” pra criança dormir mais cedo.

Você jantou mais ou menos, ainda não tomou banho, precisa pagar os boletos que não deu tempo e deita na cama exausta. Tem só esses e-mails pra responder.
Com marido ou sem marido, com rede de apoio ou não. É tudo uma loucura, gente. As mães que trabalham fora são frequentemente acusadas de terceirizar a maternidade. As pessoas da família reclamam por que como você atrasou com o supermercado, mandou dinheiro pra criança comer na cantina três vezes nessa semana e orientou e rezou para o filho fazer boas escolhas. E trazer o troco ao invés de comer pipoca na saída.

Mas pagar os boletos dessa família ninguém quer, né?

E, no trabalho, a gente vive de fazer escolhas. Eu, que sou dona do meu rolê, fiquei anos controlando minhas viagens pq não queria deixar a Victoria sozinha. Isso atrasou um bocado a minha vida profissional e o crescimento da minha empresa. Hoje em dia, no cronômetro, às 18h em ponto eu saio correndo e rezo pra não ter trânsito e monitoro onde está a van para que a gente chegue ao mesmo tempo. 90% do tempo dá certo. De vez em quando pego ela no outro ponto, no meio do caminho. A gente vai sobrevivendo da forma mais atabalhoada que der.

E é por isso que essa competição nunca vai ser boa. Porque a gente conta nos dedos quantos homens têm essa sobrecarga. E mais ainda por que essa divisão não é justa e acho, muito honestamente, que jamais vai ser.

Força para nós, mulheres. Merecemos muito, merecemos tudo. E é muito triste que precisemos lutar em dobro para termos metade do reconhecimento.

 

Imagem: William Iven para Unsplash
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