Nunca, jamais, normalize o sacrifício materno

Ser mãe pode ser muito sacrificante. Mas esse não pode ser o nosso padrão de comportamento. Não podemos normalizar o sacrifício materno.

“Abandono voluntário de algo precioso”. Repete comigo: “abandono voluntário de algo precioso”. Essa é uma das definições mais exatas de sacrifício e, talvez, a mais importante quando falamos de maternidade. É a grande razão de não deixarmos que o sacrifício materno seja um comportamento normalizado e muito menos valorizado socialmente.

Virar mãe é um movimento emocional extremamente catártico. Entramos em conexão com lados nossos que não conhecíamos, com nossa luz e nossa sombra. Nos tornamos mães e nos perdemos no mundo, dentro de nós mesmas e em busca do que a comunidade cobra que sejamos.

Ser mãe é difícil. Muito. Sempre mais do que achamos que seria. Ser mãe é difícil mesmo quando todos os astros estão alinhados, quando temos uma rede de apoio incrível. Ser mãe é difícil mesmo com ajuda, mesmo com filhos exemplares. Ser mãe é, sim, abrir mão de muitas coisas que gostamos ou sonhamos, pelo menos por um tempo.

Mas ser mãe só é isso tudo porque, em algum momento, nós aceitamos que tudo isso fazia parte da definição de boa mãe. Não faz.

sacrifício materno

Uma boa mãe alimenta, cuida, despeja afeto e atenção. Exatamente como o que esperamos que um bom pai faça. Mesmo assim, insistimos em valorizar como “grandes mães” apenas aquelas que abriram mão de tudo que são em prol dos seus filhos.

Sim, essas são grandes mães. Sem dúvida alguma. Mas mães que não abrem mão de quem são e que mantém os seus sonhos e desejos também são grandes mães. Mães que lembram de ser mulheres e que deixam a cria com cuidadores para cuidar de si, também são grandes mães. Mães que viajam, que trabalham, que colocam a criança na creche para poder fazer refeições com calma, também são grandes mães.

Ao escrever o post sobre solidão materna aqui há algumas semanas, recebi não sei quantos comentários falando que era “tudo bem” se sentir só. Fui lembrada de aceitar e me contentar com a solidão porque ela era normal. Afinal, era parte do pacote de ser mãe, fazia parte do balaio de sacrifício que a maternidade imputava na gente.

Não pode ser, gente. O sacrifício materno é a realidade da maioria das mães, mas não pode ser encarado como a norma

A matriz da maternidade ideal precisa ser mais simples. Precisa ser também sobre a mãe, precisa também ser sobre a mulher que vive sob a mãe. Os parâmetros de uma “grande mãe” precisam ser mais sobre o que a gente tem para dar, e não sobre tudo aquilo que devemos abrir mão.

Ser mãe ainda vai continuar sendo uma experiência sacrificante por um tempo, principalmente enquanto nos recusarmos a discutir a não normalidade desse sacrifício. Continuará sendo sacrificante enquanto não pararmos para dividir igualmente as responsabilidades pela criação de um filho. Continuará sendo sacrificante enquanto ficarmos com todo o peso emocional que é educar um ser humano.

imagem de destaque Naomi August no Unsplash

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