Mãe de pet: seu cachorro é ótimo, mas você não é mãe

Vai chegando o dia das mães e a tal “mãe de pet” surge das profundezas para dizer que ter um cachorro e ter um bebê é tudo igual. Notícia: não é.

Outro dia eu estava brincando dizendo que bebês e gatos são animais da mesma espécie. Já fazia 10 minutos que o meu lindo bebê de sete meses estava brincando de perseguir uma garrafa de coca-cola vazia e a comparação foi inevitável. É super engraçadinho como piada, mas tem gente que realmente acha que ser “mãe de pet” é igual ser mãe de ser-humano. E gente, não. Menos.

Eu tenho dois gatos (já contei sobre eles aqui). Tenho total conhecimento de causa para dizer que bicho dá um trabalho danado. Filhotes precisam ser educados e disciplinados, precisam ser alimentados, têm indigestões e alergias, têm um monte de doencinhas. Filhotes de bicho, assim como os filhotes humanos, têm que tomar vacinas, ir ao médico, ser entretidos e fazem cocô fora do lugar.

Dá para listar inúmeras semelhanças entre bichinhos e bebês. Sério. Dá pra dizer que eles são fofos. Que pedem colo. Que precisam ter alguém pra cuidar quando você não pode. Que são muito amáveis.

Com tanta coisa parecida, não é de se estranhar que as pessoas pensem que ser mãe de pet ou mãe de humanos é quase a mesma coisa.

mãe de pet
adam griffith no unsplash

Só que ser mãe de humanos é uma experiência extremamente pesada e transformadora. Um trabalho interminável. Uma experiência que faz com que você reavalie “pequenos detalhes” como por exemplo toda a sua própria identidade. Se você adotar um cachorro isso acontece? Claro que não.

A maternidade muda o seu status social. Para a sociedade, você deixa de ser um indivíduo para ser, antes de tudo, mãe. O mundo passa a exigir de você uma série de comportamentos específicos compatíveis com o seu novo “cargo” na humanidade. E ai de você se questionar quaisquer desses pré-requisitos de boa mãe.

Ser mãe é ser julgada o tempo inteiro – por tudo e todos. Ser mãe é ter que conviver diariamente com sentimentos de culpa e medo. Ser mãe é perder completamente a privacidade. Ser mãe inclui ser alvejada por opiniões não solicitadas e críticas infundadas que te fazem chorar e repensar toda a vida. É extremamente solitário. É ser absurdamente frágil enquanto se é absurdamente forte.

Não estou comparando amores ou dedicação. Cada um sabe o que sente.

Eu poderia estar aqui dizendo que o amor de mãe é o mais forte sentimento do mundo. Incomparável. Incomensurável. Mas não é o meu ponto. Você pode dispor todo o amor que tem no peito para seu animal de estimação. Quem sou eu para duvidar? Mas ser mãe (de humanos) tem uma carga prática e emocional que ser mãe de pet jamais terá.

Sim, você vai ficar arrasada se o seu bichinho sofrer de dor ou tiver uma doença. Vai te fazer muito feliz vê-lo brincar e dormir satisfeito. Mas eu duvido muito que você vá ser demitida do emprego porque escolheu adotar um cão. Eu duvido que se você for em busca de um emprego vão te perguntar: “mas você tem um gato? Com quem ele vai ficar quando você estiver na empresa?”.

Eu também duvido que vão te julgar ou que você vá sofrer qualquer tipo de constrangimento porque seu cachorro não tem um “pai”. Também não vão te julgar se você deixar o cachorro aos cuidados de outra pessoa para poder viajar ou quem sabe pintar o cabelo. Aliás, você já chegou ao ponto de ter que escolher entre comer ou tomar banho por causa da rotina exaustiva com seu pet?

Duvido. Então, por favor, seu cachorro é uma gracinha. Mas mãe de pet não é mãe.

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4 Comentários

  1. Lilian
    9 de Maio de 2018 at 7:02 — Responder

    Mãe de pet não tem que cuidar da formação de caráter de um ser humano…simples assim…

  2. Aline
    13 de Maio de 2018 at 20:08 — Responder

    Tenho duas cachorras e nao me considero mae delas, e sim dona e responsável pelo bem estar (comida, saúde, etc). Sou consciente de que ser mae demanda muito mais trabalho, incomparável com a ter bichos que posso sair tranquilamente pra ir ao supermercado e deixar as duas sozinhas, ou sair a noite pra um bar e voltar bêbada, acordar as 3 da tarde, elas nao vao chorar nem pedir pra que eu acorde pra preparar comida. Nao preciso esquentar a cabeça com escola, educação, ensinar moral, bons modos, respeito, acho que nao tem nem sentido comparar um animalzinho com um bebê, que é uma trabalheira da porra, um 24×7, 365 dias do ano. Porém, quem sou eu pra julgar quem se acha o que nesse mundão de meu Deus, e ademais, o que muda a minha vida se uma mulher se acha mãe de pet ou não, ou se outra acha que ter um cachorro é como ter filho? Nada. Vou continuar saindo pra trabalhar da minha casa, pra ganhar dinheiro e comprar ração (hahah), e acho que na vida das mães de bebês também nao muda absolutamente NADA. Ou pelo menos deveria, porque se o fato de alguém se achar ou não pai/mae de um cachorro ou gato influencia a tua vida, tem alguma coisa muito errada aê… 🙂 Feliz dia das mães.

  3. denise
    14 de Maio de 2018 at 19:48 — Responder

    Não sabia que tinha um sindicato regulamentando a profissão de mãe. Vivendo e aprendendo.

  4. Talia
    25 de Maio de 2018 at 17:34 — Responder

    cada um sabe de si. Conheço muitas mães que não sabem e nunca vão saber o que é ser mãe. Mães que não abrem mão de nada pelos filhos, ou sequer fazem questão de criá-los. Algumas mães também não se encaixam em nada do que foi dito no texto. Uma mãe que adota um filho adolescente não passa pelas etapas citadas. Isso faz dela menos mãe?
    Cada um sabe de si, como foi dito. Não acho inteligente comparar um bebê com um cachorro. Mas acho menos inteligente ainda querer nomear uma relação familiar que não é a sua. A autora do texto não se considera mãe dos gatos dela, mas há quem pense assim. E não cabe a nós julgar.

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