Alerta para gestantes: precisa SIM vacinar para coqueluche

Primeiramente: por que estamos falando tanto sobre Coqueluche?

 

Victoria nasceu em 2010. Lembro que ela tinha menos de 2 anos quando a pediatra pediu muito incisivamente que todos os adultos da casa e cuidadores fossem vacinados contra coqueluche. Ela não nos deu muita opção, alertou que os casos da doença vinham aumentando muito nos últimos tempos. E a partir daí eu comecei a pesquisar mais sobre a doença.

 

Mas o que é coqueluche?

A coqueluche é uma doença bacteriana (Bordetella pertussis) altamente contagiosa que causa tosse incontrolável e que dificulta a respiração. Quando uma pessoa infectada espirra ou tosse, pequenas gotículas contendo bactérias se espalham pelo ar, sendo facilmente transmitida para outra pessoa.

A coqueluche se caracteriza por períodos prolongados de tosse, mas os sintomas iniciais parecem com o de um resfriado comum, onde há coriza e a tosse. E é comum os adultos nem saberem que tiveram coqueluche.

O período de incubação é normalmente entre 6 e 21 dias. Outros sintomas são falta de apetite, espirros, febre baixa e lacrimejamento. Essa mistura de sintomas faz com muitos diagnósticos errôneos sejam obtidos antes de haver qualquer suspeita de coqueluche.

Em casos mais graves, os acessos de tosse vão ficando seguidos e violentos e estes sintomas podem acarretar vômito ou desmaios. Como provoca falta de ar, lábios e unhas podem ficar azuis. Se não tratada, a coqueluche pode levar à morte, principalmente em crianças e idosos ou adultos com doenças crônicas.

 

 

Mortalidade infantil

A coqueluche é uma importante causa de mortalidade infantil em todo o mundo e continua a ser uma preocupação de saúde pública, mesmo em países com alta cobertura vacinal. A maioria dos casos e óbitos se concentra em crianças menores de um ano de idade, especialmente nos primeiros seis meses de vida. Os bebês até os seis meses de idade ainda não completaram o esquema primário de vacinação com DTP (Difteria, Tétano e Coqueluche), e por isso estão mais suscetíveis à infecção.

No Brasil, a vacina para coqueluche – tríplice clássica (DPT) –, faz parte do Calendário Oficial de Vacinação do Ministério da Saúde e é oferecida pela rede pública de saúde logo nos primeiros meses de vida (2, 4 e 6 meses), com a quarta dose entre 15 e 18 meses e um reforço aos 5 anos. Depois disso é recomendado que sejam oferecidos reforços a cada 10 anos. A vacina oferecida pela rede pública e particular é a mesma.

 

 

Por que as grávidas devem se vacinar?

Gestantes precisam se vacinar a cada gravidez. O ideal é que sejam vacinadas entrando no terceiro trimestre ou pelo menos após a 20ª semana. Nessa fase é quando as mães mais transmitem anticorpos para os bebês. Desta forma, o bebê estará imunizado nos primeiros meses da doença, até poderem ser vacinados.

Importante falar ainda que as mães – normalmente os principais cuidadores -, são a fonte de infecção mais comum da coqueluche em bebês que mamam. Uma vez que são responsáveis por mais de 37% dos casos. Por isso, a prevenção da mãe é uma forma de proteger o bebê da doença.

Eu tomei somente uma dose da vacina para coqueluche na minha gravidez (2009-2010), e ainda tomei novamente a pedido da pediatra da Victoria de novo, em 2012. A Mariana, grávida do segundo bebê em 2018, seguiu um novo cronograma de imunização. Ela, que está em pleno puerpério (Dora está com dias de nascida), deixa aqui a sua mensagem.

“Cuidar é um dos verbos que a gente mais conjuga durante a gravidez. Para cuidar do bebê que cresce na nossa barriga a gente passa a cuidar mais da gente também. Alimentação saudável, exercícios, vitaminas, consultas, exames e vacinas em dia. Tomei a vacina DTPA, que previne tétano, difteria e coqueluche, por volta da trigésima semana da gravidez. Visto que já tinha tomado na primeira gestação, não havia necessidade de tomar novamente, mas estava enganada. A gestante toma a vacina para proteger, ainda na barriga, o bebê, que ficará imune à doença até ele próprio ser vacinado pela primeira vez aos 2 meses (depois será necessário tomar os reforços da vacina).”

 

Prevenção para gestantes

A principal medida de prevenção da coqueluche é a vacinação. O calendário de vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda para a gestante a administração de 1 dose de DTPA (Difteria, Tétano e Coqueluche Acelular). Isso a partir da 20ª semana de gestação, a cada gestação.

Gestantes nunca vacinadas ou com o histórico vacinal desconhecido, devem fazer duas doses de DT e uma dose de DTPA. Deve-se apenas garantir que a DTPA seja feita após a 20ª semana de gestação, e que o intervalo entre as doses seja de pelo menos 1 mês.

 

E por que estou falando sobre isso agora?

Recebemos dados alarmantes da GSK, empresa da indústria farmacêutica líder no mundo em imunizações. Segundo dados do Sistema Único de Saúde, a cobertura vacinal contra coqueluche em gestantes caiu vertiginosamente em 2017. Caímos de cerca de 53% das gestantes vacinadas para somente 38,4%. Isso é péssimo, sobretudo quando vacina está amplamente disponível e gratuita nos postos de saúde e na rede privada.

Como mães temos o dever de alertar gestantes, mas também mães, cuidadores, escolas e creches que adultos precisam sim ser vacinados a cada 10 anos e grávidas a cada gestação. Não existe uma razão para que adultos se exponham. Principalmente exponham bebês a uma doença que é uma das maiores causas de mortalidade infantil.

Uma vez que vacinação é questão de saúde pública, todo mundo pode ajudar a divulgar.

 

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Imagem: Unsplash

 

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