Férias sem filhos: além dos muros da maternidade

Férias sem filhos. Por que as pessoas têm tanto problema com isso?

 

Hoje é o primeira semana útil do ano e eu estou relaxada e de férias. Oi? Como assim, eu não estou maluca, fazendo todo tipo de resoluções e tentando, pelo oitavo ano seguido, ser uma mãe melhor, mais organizada, mais legumes e verduras, mais criança na cama na hora certa?

Pois é, não estou. Ao invés disso eu coloquei em prática, pela primeira vez, a divisão justa e igualitária de dividir as férias com o ex-marido e parti pras minhas férias solo.

Antes disso eu organizei a minha parte das férias dela, sugeri ao ex que colocasse ela numa colônia de férias que eu considero apropriada, mandei umas dicas de programação, fiz as malas, fiz todo aquele trabalho mental que é só nosso e parti pra viver a vida.

Se eu posso ser completamente honesta, falo com ela várias vezes ao dia. No telefone, whatsapp video, audio, emojis, texto. Cada audio cheio de beijinhos. Cada sessão de video cheia de saudades. Mando fotos de coisas que sei que ela vai amar.

Mas eu acredito loucamente no poder da rede de apoio.

E, enquanto eu vejo todas as amigas mães postando fotos com suas crias nas festas de final de ano, eu tiro fotos de lagos congelados na Holanda, rinques de patinação cheios de crianças, foto de cerveja boa no bar, da sala de cinema típica dos anos 20, encontrando os amigos espalhados pelo mundo.

Cada uma de nós precisa aprender como recarregar as baterias. É nosso dever como mães excelentes que somos, saber que não somos invencíveis, insubstituíveis e que também somos feitas de carne e osso e desejos maiores do que só a maternidade.

E eu sei que eu sou uma grande advogada de um pouco de isolamento da maternidade e já ouvi coisas como: “você terceiriza né”; “como você é desprendida” ou “nossa, mas assim fica fácil”.

 

Férias sem filhos

Oras, bolotas, como assim?

Você passa o ano na labuta. Naquele esquema que todas nós estamos mais do que acostumadas e que pesa diariamente no lombo. Sem contar as horas produtivas perdidas dos seus neurônios, verificando se todos os pares de meias estão em par e não existe dedão furado, se todas as 12 cores do lápis de cor estão no estojo e são, de verdade da sua criança (por que você etiquetou um a um, claro), essa infinidade de pequenas tarefas mundanas que se chama “vida materna”. E por que você resolve tirar 15 dias de férias por ano pra recarregar as baterias da sua feminilidade, da sua vida adulta, de poder fazer coisas que não seria apropriado fazer com seus filhos por perto. Oi ainda visitar lugares lindos sem se preocupar se o nariz das crianças está escorrendo no frio, você é “desprendida”?

Em que mundo nós ainda vivemos (2018, people!) que somos repreendidas por termos desejos além da maternidade? Em que mundo a gente precisa viver pra provar a nossa “competência materna”?

Eu passo 12 meses do ano planejando esses 15 dias. Compro passagem com milhas ou com 6 meses de antecedência, passo o ano procurando ofertas de acomodação, vou trocando dinheiro todo mês, vou riscando do meu mapa pessoal todos os lugares que quero conhecer no mundo e aviso pra minha rede de apoio os meus planos e deixo tudo organizado com antecedência.

Por isso que não sinto culpa alguma, mesmo quando a gente choraminga de saudades. Por que sentir saudades faz parte. É só a gente antecipando nosso reencontro.

Você precisa tentar.

Por isso, queridas amigas, se eu posso me meter um pouco que seja na sua listinha de resoluções para 2018, seria essa dica: se ache. Não precisa ser viagem, vale qualquer coisa. Desde que seja além dos muros da maternidade.

Aquela exaustão desaparece, você se conhece melhor. Inclusive passa a agradecer com mais fervor pela vida materna. Sim, parece um paradoxo. Mas qual mulher é totalmente racional?

Feliz 2018 queridos todos. Por um mundo mais justo para as mães, por um mundo mais igualitário para as mulheres. Por um mundo com toda a sororidade que a gente merece.

 

 

Imagem: Ben Waardenburg para Unsplash

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