A falta de empatia com a rotina das mães de bebês

Depois que eu virei mãe, aprendi – na marra e na prática – que só mães conseguem ter alguma empatia pela rotina das mães de bebês.

A rotina das mães de bebês e, por consequência, dos próprios bebês, é libertadora. É depois que toda a névoa do puerpério se dissipa, que conseguimos começar a enxergar alguma estrutura de tempo e organização da vida. Uma rotina parece apontar no horizonte. Mesmo que mínima, há uma promessa de que finalmente você vai conseguir se planejar para almoçar ou lavar o cabelo.

Finalmente você entendeu quanto tempo o bebê costuma dormir à noite, quantas horas dura uma soneca, quando é hora de comer e de tomar banho. Vocês aprenderam juntos que existe uma hora que estão ambos exaustos, que em certo momento a casa toda precisa desacelerar. Você já dorme sabendo que horas vocês vão levantar e começar o dia.

Mesmo que o bebê ainda esteja acordando em umas noite e outras não, mesmo que pule uma ou outra soneca, você já sabe mais ou menos como o seu dia vai andar. E isso é ótimo, depois de vários meses e horas em claro, você finalmente descobriu como esse bebê funciona. As engrenagens mãe e bebê estão azeitadinhas, mas só você entende o quanto isso é importante.

rotina das maes de bebes

Quem não divide a vida com um bebê não faz ideia da importância de manter uma rotina

Quebrar a rotina das mães de bebês não é como quebrar a rotina de um adulto qualquer. A estrutura cotidiana dessas mães não existe por conveniência, existe por sobrevivência e pela busca incessante de sanidade. Se uma mãe de bebê perde uma hora de sono, ela nunca mais – nunca mais – será recuperada.

Além disso, quebrar a rotina das mães e dos seus bebês pode ser uma operação de guerra que começa dias antes com planejamento prévio. Pode ser que uma mínima mudança na agenda familiar faça com que o bebê durma mal durante uma semana inteira. Dar uma saidinha na hora da última soneca pode atrapalhar todo o trabalho que foi ensinar o bebê a dormir.

Se essa mãe já não está mais em licença maternidade, sair da pequena rotina que ela criou entre trabalho e bebê, pode custar horas fundamentais de tempo de qualidade dela com o filho. Pode ser que ela se perca completamente nos próprios compromissos e nos compromissos do bebê.

Mas as pessoas sem filhos não parecem entender. A insistência na manutenção da rotina das mães de bebês parece quase um capricho delas. “Virou mãe e ficou neurótica”. Qual o problema de abrir uma “exceçãozinha”?

Pois a verdade é que nem sempre vale a pena quebrar a rotina. E outras vezes é simplesmente impossível

Sim, às vezes não vale a pena provocar alguns dias a mais de cansaço e algumas horas de choro extra para ir num jantarzinho de duas horas. Outras vezes é simplesmente impossível sair de casa às nove da manhã. Ou estar numa reunião às duas da tarde no outro lado da cidade. Em muitas ocasiões é absurdamente complexo remarcar um compromisso imediatamente.

A rotina de mães de bebês é precisa e estruturada, e deve ser mais do que respeitada: deve ser abraçada.

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