A mãe que você quer ser nem sempre é a mãe que seu filho precisa

Acho que todas nós idealizamos a maternidade desde que nossos filhos são do tamanho de um grão de feijão. Como você vai se comportar, como vai educar, que tipo de escola vai frequentar, com quais tipos de pessoas vai conviver. A gente quer ser a melhor. Não a melhor mãe do mundo. Não a mãe perfeita. Mas a mãe idealizada dentro da nossa própria personalidade.

Quando eu engravidei da Vicky eu era aquela mulher #vidaloka. Que estava sempre trabalhando, com a casa cheia de amigos, viajando pra lá e pra cá em uma verdadeira roda viva. A manhã começava na praia e só acabava quando o dia tava pra raiar. A vida era demais.

E eu achei, na minha santa inocência, que ia dar para ser essa mãe ainda. Viajando no mesmo esquema, uma vida sem rotina, aquela que ia levar a cria no sling para trabalhar e que o dia ia amanhecer na praia e acabar no restaurante bacana. Obviamente que nada disso deu certo.

Hoje, Victoria caminha a passos largos para os sete anos e eu dou gargalhadas da minha inocência em achar que eu iria conseguir ser aquela mãe. Mais do que isso, de achar que ela que teria que se adaptar ao estilo de maternidade que eu achava que era possível de se encaixar na minha vida e não ao contrário. Tolinha.

Não deu pra eu ser a mãe festeira, viajandona, toda trabalhada na carga horária máxima de trabalho. Minha vida nos primeiros anos não foi plácida. Acabou com uma criança que não dormia, que precisava de uma rotina, que vivia com crechites e alguns casos de pneumonia e que precisava de uma mãe ali, cuidando, errando e acertando. Eu abandonei mil projetos, eu passei a ficar mais em casa, ela passou a ter uma rotina mais rígida para conseguir dormir em um horário mais tranquilo. Ou só dormir.

Enquanto eu tentava me agarrar no estilo de maternidade que eu achava o ideal, eu fui mudando na marra, por que era tão claro que eu tava fazendo tudo errado e que não tava funcionando que eu ia me ajustando sem nem perceber. Só que essa minha resistência natural às perdas que eu tava enfrentando acabou trazendo uma depressão. Funcional, mas eu estava claramente deprimida. Engordei mais, meu casamento acabou e eu que era uma pessoa tão alegre e cheia de vitalidade, fui virando uma pessoa introspectiva e que vivia feito um zumbi, no automático.

Foi necessária uma intervenção das amigas, essas criaturas que estão sempre do meu lado, muitos anos de análise, uma boa dose de empoderamento, reflexão e entendimento de que eu nunca mais ia ser aquela mulher; que a mãe que eu idealizava não era mesmo a mãe que a Victoria precisava e que, ainda assim, estava tudo bem.

Logo eu, que sempre abominei rotina, hoje não vivo sem. E o melhor de tudo é que a maternidade está sempre em mutação. A filhota cresce todo dia e eu consigo introduzir alguns dos conceitos que me eram caros. Outros, abandonei por completo, ou por que não são viáveis ou por que não importam mais.

Nossos filhos são parte de nós e nós somos parte deles. Como em qualquer relação, a gente cede e a gente faz valer nossos desejos/necessidades. No fim, percebi, que eu e ela nos moldamos juntas. Aprendemos juntas, brigamos juntas, fazemos as pazes juntas. Ela reclama, eu reclamo. Ela me ama e eu amo ela de volta. Nossa essência pode permanecer a mesma, mas o dia a dia nos obriga a uma adaptação constante.

No fim, você é a melhor mãe que seu filho pode ter. E saber disso dá uma alegria imensa.

 

PS: O post está cheio de links de outros posts que já escrevemos sobre assuntos correlatos. Vale a leitura.

 

 

A gente, curtindo o verão carioca, picolé de milho verde e vida mansa (jan 2017).

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1 Comment

  1. 15 de março de 2017 at 10:31 — Responder

    Somos mães possíveis!
    Eu também escrevi um post nessa linha, bem parecido com um dos links indicados, dizendo que eu sou a melhora mãe que posso ser – e espero que isso baste para o meu filho.

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