Eu não odeio mais a maternidade

Eu não odeio mais a maternidade é algo difícil de admitir.

Eu não odeio mais a maternidade significa que, algum dia, eu já odiei. Mas eu amo ser mãe e a minha filha, como lidar com essa constatação? O que uma coisa tem a ver com a outra?

Há algumas semanas eu li esse texto do blog Não me chamo mãe e ele foi um texto engraçado de ler. Eu me identifiquei profundamente com todo ressentimento contido naquelas linhas e ao mesmo tempo era como se eu estivesse identificando uma outra pessoa que não era mais eu, sabe?

A autora, Luiza Miguel G, fala sobre coisas como culpa, raiva, inveja e solidão. E ela falou ainda como a maternidade ativa aprisiona a gente e eu lembrei que usei a expressão “a maternidade é uma prisão” tantas vezes e meu coração deu um pulinho. Quis atravessar a tela do computador pra dar um beijo estalado nela, um abraço apertado ajudar ela a arrumar a bagunça, dizer “vai tomar um chopp que eu olho as crianças”. Eu já fui ela.

Aliás, eu tinha certeza de que tinha escrito o post “A maternidade é uma prisão” em algum momento aqui no Mundo Ovo, por que isso soa tanto como algo que eu teria escrito, né? Quem me segue aqui, sabe que meus textos são os mais nus e crus do blog. Para o bem e para o mal. Mas tudo o que eu encontrei sobre o assunto foi um texto Você acredita na maternidade perfeita? Que eu sei que não traduz exatamente o que eu queria dizer.

A verdade é que, em algum momento, e por algum tempo, tinha momentos em que odiava a maternidade. Isso mesmo. Odiava. Não tinha nada a ver com meu amor pela Victoria, nada a ver com passar tempo com ela, criar, viver. E a razão pela qual eu nunca dividi isso com vocês foi pura vergonha. Quem odeia ser mãe sendo uma boa mãe, ativa e consciente? Eu tenho um blog sobre isso, caramba! Como eu posso odiar a maternidade? Não era toda hora e nem todo o tempo. Mas em alguns momentos. Desculpa.

Mas a maternidade de fato nos aprisiona.

A gente se esconde trás dela, a gente vive ela de corpo e alma e a gente se esquece. Nossa, como nos perdemos nessa jornada. Mesmo se estamos atentas, ela nos engole. E, hoje, entendo que ela nos engole como tem que ser. Mas não pode ser assim pra sempre. Por que é muito ruim pra gente viver com esse ressentimento dentro de nós.

 

eu nao odeio mais a maternidade

Mas o equilíbrio volta. O medo passa.

Escrevo aqui do México, onde tive uma conversa com a minha amiga, também mãe, em processo de análise, que está lidando com essa mesma jornada de volta. E, depois de dividir com ela a minha própria história, ela me disse uma coisa muito bonita: “mas você encontrou um equilíbrio muito bom em ser mãe e ser mulher, né?”

E eu disse, meio sem pensar, “sim”. Mas, agora que estou aqui escrevendo pra vocês, me dei conta de que esse SIM deveria ter vindo em caixa alta e um sorriso no rosto. Talvez um beijinho no ombro.

Por que sair de um lugar onde, por vezes eu odiei ser mãe, para hoje em dia estar tão sincronizada com meus inúmeros papeis é resultado de um trabalho incrível de autoconhecimento, aceitação, reorganização de pensamento e de vida. Sem modéstia.

É saber dizer sim para as viagens de trabalho, sem culpa. É saber dizer não quando meu coração pede só a Victoria e eu, juntinhas. É saber, minimamente equilibrar todos os pratinhos e não se ressentir tanto da vida dura que leva, mas honrar a própria escolha.

Eu não odeio mais a maternidade. Eu amo a maternidade como amo o resto de mim.

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