Como lidar com crianças frustradas?

É certo que nossos filhos ficarão frustrados muitas vezes em suas vidas. E tudo bem.

 

Todos nós teremos que lidar com crianças frustradas mais cedo ou mais tarde. Seja por que você vetou sorvete no café da manhã ou por que algum amigo venceu a disputa do brinquedo na escolinha, o fato é que nem sempre a vida dele vai sair do jeito que ele desejou.

Vamos pensar em nós mesmos e em quantas vezes somos obrigados a lidar com nossas próprias frustrações. Desde a hora que acordamos (quem não gostaria de ter mais 15 minutinhos de cama?), no trânsito, no trabalho, nas relações pessoais.

Convenhamos. O mundo é um lugar estressante pra se viver. Você pode até ser adepta do slow parenting, minimizar as tretas de uma maneira mais zen, mas viver não é para os fracos de espírito.

E, claro que não queremos frustrar nossos filhos de propósito de forma a ensinar a dura lição de que a vida – de vez em quando –, é uma me*&¨%$ mesmo. Mas quando a frustração rolar, precisamos apoiá-los, fazê-lo entender aquilo que ele está sentindo e principalmente validar os sentimentos dele, mesmo que para a gente, aquilo seja uma besteira (e geralmente é, hahaha).

Em cada fase as crianças lidam (ou não lidam) com a frustração de uma maneira diferente. Victoria sempre teve dificuldade de lidar com emoções intensas. Ela é dessas que chora quando uma música a emociona, ou com cenas tristes em filmes desde muito pequena e quando se frustra fica extremamente agressiva.

Antigamente ela chorava muito. Mas hoje, aos 7 anos recém-completos e com um temperamento forte, ela grita, xinga e joga coisas na parede como uma pequena grande diva. E eu estou tendo que aprender a me manter calma e paciente nesses momentos (virtudes com as quais não nasci) e apelar para um sem número de métodos consistentes para ajudá-la a digerir esses sentimentos.

 

O que ela sente?

Ela se expressa verbalmente muito bem. E dissecando os xingamentos ela me diz que:

  • Não se sente amada;
  • Se sente terrivelmente injustiçada;
  • Acha que eu não me importo com os sentimentos dela;
  • Não entende a razão dela não poder fazer as coisas que quer, quando quer.

Como eu me sinto?

  • Frustrada
  • Cansada
  • Com raiva
  • Impotente

Eu sei, não é um bom conjunto de sentimentos. E, claro, como a adulta desta relação, eu preciso estar de cabeça fria para aplicar algumas regrinhas para fazê-la lidar melhor com as frustrações que a acometem diariamente.

O que eu estou fazendo?

  • Em primeiro lugar lendo um livro bem legal. Comprei na Amazon e se chama The Happy kid handbook (em inglês e sem tradução no Brasil). Estou lendo no Kindle, mas você pode comprar em papel, que eles entregam no Brasil sem grandes custos adicionais. A autora, Katie Hurley tem umas dicas bem legais.
  • Eu pego ela no colo (coisa que mal consigo fazer com minha grandona) e forço um abraço. Ela se debate, grita e uma vez ela me mordeu, juro 🙁 , mas abraços, beijos e reafirmar o quanto a amo, acalmam um pouco.
  • Quando a frustração não tem a ver comigo – quando ela sente que precisa me atacar para conseguir o que quer –, nós sentamos, conversamos sobre o que ela está sentindo. Ela usa constantemente a expressão “isso não foi justo” e nós conversamos longamente sobre a história que gerou a frustração, sobre as pessoas envolvidas, sobre seus próprios sentimentos.
  • Outra coisa que funciona bem é respirar. Inspirar e expirar, longamente, devagar e contando ajuda o corpo a se reorganizar e a mente a oxigenar.

Essas são todas as minhas técnicas de disciplina positiva, sendo a mais empática possível.

 

Como lidar com crianças frustradas?

Mas e quando não adianta?

Quando ela está mais agressiva do que nunca – normalmente eu sou a causa da frustração –, ela mostra as garrinhas e não há o que faça ela acalmar. Não adianta abraçar, respirar ou conversar. E eu apelo para coisas que não acho que funcionem a longo prazo, mas pelo menos me dá um tempo até que eu mesma consiga reorganizar meu próprio temperamento.

Temos um calendário onde cada ataque fenomenal desses deixa ela uma semana sem Ipad.

Se depois que eu avisei e dei a chance dela conseguir se acalmar por métodos mais positivos e ela continuou a ser super agressiva e não querer dialogar, eu vou aumentando progressivamente as semanas. Uma hora ela percebe que está indo longe demais.

A cada dia que conseguimos conviver pacificamente, ela ganha um dia a menos no calendário.

É péssimo dizer isso, mas ela está percebendo que agir descontroladamente por razões muito bestas a deixam sem o seu objeto predileto. Isso está fazendo ela mesma a usar as técnicas positivas para se acalmar. Como me abraçar ou respirar, por exemplo. (motivos: quer levar a boneca cara que ganhou do avô para a escola ou quer ir de tênis com rodinha pra escola ou quer comer um chocolate de café da manhã).

 

Então me digam: estou acertando?

Sinto que castigos não funcionam, bater menos ainda. Mas será que estou piorando as coisas a longo prazo? Aceito pitacos (que sejam gentis, naturalmente).

 

 

Imagem destacada: Vance Osterhout

Imagem: Shutterstock

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