É importante dizer sim e também ceder

Desde a hora que acordamos até a hora de dormir, a gente deve dizer uma centena de nãos para os nossos filhos. Desde coisas muito justificadas, como: “Não filho, não pode subir no parapeito da janela”, até nãos que poderiam ser evitados, como: “não pode usar saia rosa com camiseta roxa por que não combina”.

Outro dia eu acordei atrasada e a Vicky tava naqueles dias de não querer ia para a escola. Sabe aquele dia que não tá dando pra lidar com a crise existencial da criança? Então, eu tava “naqueles dias”. Depois de uma sucessão de nãos, seguido de outra sucessão de “apressamento de criança”, ela empacou na porta de casa e deu um grito: “MÃE! VOCÊ É CHATA! SÓ SABE DIZER NÃO!” Assim mesmo, em caixa alta. Eu, naturalmente, fiquei culpadíssima, tentei argumentar, mas também fui obrigada a avaliar como estava me relacionando com ela.

Sabe como percebi que estava tudo errado? Tudo o que eu falo pra ela, ela me responde com um não. Se peço pra ela experimentar uma comida nova, a primeira coisa que ela responde é não. Se peço pra escovar os dentes, a resposta é não, se quero trocar de canal para ela ver um novo programa, ela diz não, e por fim, mesmo os argumentos dela não começam de maneira positiva e sim com uma negativa.

Nossos filhos são espelhos da gente. Eles não só refletem aquilo que somos, mas também copiam nossos hábitos, inclusive os péssimos. E ser uma pessoa (chata), que só diz não o tempo inteiro, é exatamente o que estou apresentando para ela nesse momento.

Por isso estou tentando avaliar se os nãos são mesmo necessários ou se é só preguiça minha de refletir sobre cada um dos desejos e necessidades dela. E, ainda mais importante pra mim, estou tentando não ser intransigente.

Quem me acompanha aqui no Mundo Ovo sabe que já falei mil vezes que a Vicky é osso duro de roer, com um gênio que precisa ser domado, e uma das coisas que estou sempre ouvindo é que preciso estabelecer limites e não ceder. E eu tento ser mais durona, mas me sinto muito intransigente e com isso ela está se tornando uma criança igual, que nunca quer ceder. Isso torna qualquer relacionamento um verdadeiro cabo de guerra. E preciso ensiná-la a ceder e ter empatia. Mas só posso cobrar se puder também devolver na mesma moeda.

Acho que esse é meu desafio de início de ano. Como dizer sim e ao mesmo tempo conseguir estabelecer limites e regras? Como diferenciamos a mãe flexível da mãe “bobalhona”? Como achar o meio termo? Alguém tem dicas pra mim?

 

Em tempo: A Mari escreveu um post muito bom sobre um assunto correlato. Não deixe de ler.

Mãe, posso tomar banho de roupa? Pode.

 

Imagem destacada: Shutterstock

 

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1 Comment

  1. 6 de janeiro de 2016 at 11:01 — Responder

    Saber dizer sim é uma arte, como disse a Mariana! Devemos refletir o que está por trás do não. É um exercício! Precisamos dizer mais sim, e aprender que é possível dizer sim sem atingir a hierarquia. Não podemos confundir autoridade com autoritarismo!
    Muito legal sua reflexão, Camila.
    Grande beijo e feliz 2016!

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