Limite e autoridade – a família agradece a lição

A escola nova do meu filho, que ele atende desde o meio do ano passado, oferece mensalmente palestras sobre educação e comportamento. Logo no primeiro mês recebi o convite para ouvir sobre o tema “Autoridade e limite”, e achei que seria uma oportunidade maravilhosa para tentar desvendar os mistérios dos terríveis dois anos de idade (terrible twos)  e dos tantos enfrentamentos que estava vivendo à época.

A palestra foi ministrada pela Ms. Dulce Silveira, psicóloga e Conselheira da Educação Infantil da escola do meu filho. Pais de crianças de diversas idades estavam presentes. Descobri, como suspeitava, que os tais terrible twos ainda vão durar bastante.

Logo no início fomos apresentados ao significados das palavras escolhidas para o tema.

LIMITE: “linha real ou imaginária que separa dois terrenos ou territórios contíguos; estrema, baliza, divisa, fronteira: marcar os limites da propriedade. Parte ou ponto extremo; fim, termo.”

AUTORIDADE: “Direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões, de agir etc. Aquele que tem tal direito ou poder.”

Uma criança que cresce sem limites e sem uma figura que tenha real autoridade terá a ilusão de que tudo o que lhe é permitido é e será possível. Os limites nos dão segurança, seja o limite da janela sinalizando que não devemos ultrapassá-la, o limite de não poder começar uma brincadeira sem guardar a anterior, de não poder andar no meio da rua ou sair de casa sem o sapato. Alguns limites são ditados pelas regras da sociedade em que vivemos, outros advém do senso comum ou dizem respeito ao modo como cada família decide viver.

Limite dá a segurança que a criança precisa para crescer estável. Diferentemente do que possamos imaginar, pode-se dar limite com afeto. Esse é o caminho. Se você acha que seu filho é muito pequeno para entender tudo isso, saiba que essas relações entre pais e filhos – manda e obedece – já fornecem “material” suficiente para que seu filho saiba o que pode e o que não pode e impulsiona seu entendimento e desenvolvimento para etapas posteriores, quando eles forem mais velhos. Não deixe para amanhã os brinquedos que seu filho pode guardar hoje.

Por que as crianças testam a autoridade e os limites dos pais ?

Querem atenção – acreditam que serão notadas por terem feito algo ruim.

Poder – querem provar que ninguém pode controlá-la, que são superiores.

Vingança – quando agridem outros por se sentirem machucados/magoados/incompreendidos.

Inadequação – crianças que se sentem incapazes e inadequadas, seja por problema de auto-estima, ou porque são cobradas constantemente e pouco elogiadas.

 

Paciência, persistência e firmeza (consistência)

Na hora de impor limites, afeto e intenção devem estar presentes na fala dos pais para ter um efeito na atitude da criança. Se você não está seguro, a criança percebe e diminui a possibilidade de acertividade das suas ordens e ações. O mesmo acontece se você está irritada, com pressa ou impaciente, seu filho percebe e vai tentar (em alguns casos, conseguir) te vencer pelo cansaço.

Tenha em mente que a consistência das suas ações levará ao sucesso da missão, por isso não vale mudar as regras radicalmente no meio do caminho ou afrouxar quando o cansaço for maior do que a tarefa a cumprir.

 

Se você está achando muito complicado colocar em prática uma mudança grande, comece com passos pequenos:

Determinação das regras – estabeleça aquilo que é realmente importante. As regras devem ser em pequeno número (e ir aumentando de acordo como crescimento e desenvolvimentos criança). Devem ser repetidas inúmeras vezes, de modo claro e explicativo, falando inclusive sobre as consequências no caso do não cumprimento delas. Regras não podem ignorar o nível de entendimento da criança.

Revisão das regras – é uma tarefa a ser feita durante todo o processo de crescimento. Adaptações e uma dose de flexibilidade são necessárias a cada fase ou mudança.

Arquitetura da sua vida – a rotina da casa diz muito sobre o comportamento da criança. Reveja sua atitude e das demais pessoas com as quais a criança convive e aprende.

 

Saiba que:

  • Ter regras é um facilitador para auto-controle da criança e indicador de maturidade.
  • Crianças que têm limites conseguem, mesmo na ausência dos pais, realizar suas tarefas.
  • É saudável que a criança experimente e teste novos limites diante de uma situação nova.
  • Pais que erram, ajudam seus filhos a errar sem traumas sem medos, não criando modelos de aceitação pela perfeição.

 

Crédito de imagem: lindaaslund

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1 Comment

  1. Hellen
    9 de Fevereiro de 2014 at 20:54 — Responder

    Muito bom….adorei!

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