Semana passada meu filho voltou da escola com o que eu poderia ter considerado uma afta gigantesca. Não queria comer e nem a sua chupeta ele conseguia colocar na boca. Passamos a pomadinha de Omcilon, como o pediatra já havia recomendado antes, e fomos tentar dormir.Pela manhã a situação era ainda pior e depois de ver tantas mães se queixando nos grupos de mães que frequento, eu já me preparava para o diagnóstico, que confirmei com o pediatra: era a tal Síndrome mão-pé-boca (HFMD). Nunca ouviu falar?

Pois senta aí que eu vou te contar tudo o que pesquisei sobre ela. O que muitos pais não sabem é que ela pode ser branda: uma afta, uma dorzinha na garganta e com isso a gente não dá lá tanta importância. A criança vai para a escola e contamina outras crianças que contaminam outras e aí chega na sua casa. É assim que um vírus se dissemina, mais rápido que a bala de um canhão.

Esse vírus #feioboboechato é da família Coxsackie, uma família da pesada e que vive lá dentro das nossas entranhas (intestino). Ela recebe esse nome devido ao aparecimento de “feridas” nesses locais; pode ser na forma de bolhas pequenas endurecidas ou apenas bolinhas vermelhas como uma alergia.

Como o seu filho pode ter sido contaminado?

Brincando na caixa de areia, pegando o brinquedo do amigo. Muco, saliva e outros fluídos corporais são os principais veículos de contaminação.

Metade da crianças contaminadas desenvolvem sintomas. A síndrome é mais comum em menores de 5 anos de idade e os primeiros sintomas podem demorar até uma semana para aparecer (período de incubação). Crianças mais velhas e adolescente podem desenvolver formas mais brandas, mas é bem raro. Ainda bem que 99,9% dos adultos é imune por já ter tido contato prévio durante a infância com as variações A e B do vírus. Já imaginou a família inteira contaminada? É bom você saber que o seu filho pode vir a ter mais de uma vez até criar resistência ao vírus e desenvolver sua própria defesa.

Quais os sintomas?

  • Febre alta
  • Dor de cabeça
  • Dor de garganta
  • Reações cutâneas (bolinhas ou vermelhidão) na sola dos pés, palma das mãos, ao redor do ânus
  • Úlceras em várias partes da mucosa da boca (confundidas com aftas)

 

Como diagnosticar?

O médico vai conseguir realizar o diagnóstico clínico durante o exame. Geralmente não é necessário nenhum exame laboratorial, os sinais e sintomas já denunciam a presença do vírus.

 

Quanto tempo o seu filho vai ficar doente?

Do aparecimento até o final da “virose” pode levar até 10 dias, mas se o seu filho desenvolver alguma complicação poderá exigir mais tempo para o completo restabelecimento.

 

Como evitar maiores complicações?

A febre alta pode levar a desidratação e outros problemas, mantenha seu filho hidratado e monitore a temperatura sempre. O pediatra irá determinas quais ações serão tomadas para diminuir a temperatura corporal do seu filho.

O ideal é que o seu filho não coce as bolhas para não criar feridas abertas. Como a gente que é mãe sabe que é tarefa impossível, mantenha as “feridinhas” sempre limpas e secas.

 

Como saber se está havendo melhora?

A coceira nos locais onde existem as bolhas irá diminuir e secar, e as feridinhas se tornarão duras e com centro escurecido.

 

Como tratar?

Todo o tratamento será uma tentativa de amenizar os sintomas:

  • Com muito amor, carinho e doses extras de paciência, e um tanto de olhos fechados para toda a rotina da casa.
  • Medicamento, compressas para diminuir e controlar a febre.
  • Hidratação.
  • Alimentos gelados e de paladar doce irão agradar os pequenos sem ferir mais ainda a mucosa.
  • Se há lesões na boca, evite alimentos quentes e de paladar ácido e salgados.
  •  Em alguns casos o pediatra pode recomendar uso de anti-histamínicos para diminuir o desconforto causado pela coceira.

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Patricia

Patricia Smith

Patricia Smith é carioca, casada e mãe do Adam, um rapazinho sapeca e sorridente. Professora e nutricionista por formação, migrando para publicidade e auditoria por pressão. Autora do livro "Aventuras gastronômicas de uma mãe de primeira viagem." Do lar e do escritório, mas gosta mesmo é da cozinha.