Minha família não é perfeita!

Outro dia eu estava vendo o desenho do Caillou e me senti uma porcaria de mãe. Na família do Caillou tem pai e mãe que se amam e moram no mesmo teto, tem irmã mais nova, avós presentes e amigos especiais. Na casa do Caillou ninguém fala alto, todo mundo tem tempo para tudo e o Caillou fica frustrado, mas jamais deixa de aprender alguma coisa. E ele guarda todos os brinquedos e ainda lê pra Rosie, sua irmãzinha, dormir. E eu me achei a pior mãe do mundo.

Mãe é mesmo cheia de neurose. E a gente exige nada mais e nada menos do que a perfeição. E estamos exigindo isso da gente e também dos filhotes. Parte dessa ridícula culpa materna que aflora em 10 entre 10 mães é causada por esse princípio patético que a gente tem de que TUDO precisa ser perfeito e a vida não pode ter obstáculos.

Um filho perfeito precisa: dormir a noite inteira, no quarto dele e sozinho. Precisa ainda comer de tudo e quanto mais saudável melhor. O filho perfeito não faz birra, é super educado, não chuta o cachorro do vizinho e nunca quebra o brinquedo na cabeça do amigo. Em casa ele desfraldou ridiculamente cedo e jamais gostou de chupeta.

Já uma mãe perfeita, amamentou exclusivo até seis meses e depois amamentou livre demanda até os três anos. Fez quarto Montessoriano, recebe os amigos do bebê semanalmente em casa, leu todos os livros e mais alguns, não colocou na creche, não tem babá e parou de trabalhar pra se dedicar exclusivamente ao seu filho (ou a alternativa: trabalha nas horas corretas e sempre tem tempo para tudo na agenda). Ela nunca está cansada, jamais reclama das crianças, está sempre linda e arrumada e seu casamento jamais ficou esquecido por causa das demandas da maternidade.

Se você preencheu toda essa lista aí de cima, parabéns. Passo pra você a minha capa de Mulher Maravilha e vou me esconder no banheiro pra chorar.

Mas a verdade é que a gente tenta chegar num ideal que é impossível de alcançar. E isso está gerando uma neurose coletiva, além de uma ansiedade desmedida para que você seja a mãe perfeita e seu filho o mini me da perfeição. E a frustração porque o mundo não é um grande comercial de margarina? E a tristeza que dá porque a sua família não é igual a do desenho do Caillou? E a pressão que você sofre, ainda gera tensão com seu marido que num aguenta a chatice e seu filho fica tentando entender porque você está sempre mal-humorada e insatisfeita.

Olha, eu culpo você, a mim e também um monte de influências externas que contribuem (e muito) para que essa neurose se espalhe por todos os lares do mundo. Em primeiro lugar, mãe tem mania de comparar e exibir todas as qualidades do filho para quem quiser ouvir. Os defeitos são sumariamente engavetados e, tal qual a “felicidade de Facebook”, a gente só fala de coisa boa e das coisas lindas e especiais que nossos filhos fazem. Já falamos disso aqui.

E também existem pessoas com ideias muito especificas sobre o que deve ser a maternidade. Veja bem, longe de mim querer criticar quem providencia informação relevante pra gente conseguir maternar de uma maneira mais consciente. Mas o mundo tá muito cruel, minha gente. E se você não seguir o novo padrão estabelecido, você é automaticamente execrada em praça pública sem direito a réplica. Eu acho que cada uma de nós precisa ser sim, consciente de que existem métodos XYZ que são melhores/mais saudáveis/mais recomendados para você ter e criar o seu filho, mas vamos combinar que cada uma de nós vive uma realidade de vida, uma cultura e tem uma forma diferente de encará-la?

Por isso meu conselho é: RELAXA. Sua família não é desenho animado franco-canadense. Tenta fazer o seu melhor com as ferramentas que são apresentadas, mas não fica louca porque você está há três semanas sem fazer uma unha. Não fica irritada porque o desfralde está demorando oito meses. Nunca vi adolescente de fralda e chupando chupeta, de forma que, em algum momento você vai perceber o melhor momento do SEU filho e tudo vai dar certo.

A vida já é dura e o mundo atual é tão corrido e sofrido que não vale a pena tentar atingir esse nirvana da perfeição na maternidade, porque amiga: ninguém vai te dar uma medalha por isso, e você só vai conseguir deixar uma família sem entender o que é que aconteceu com você por ter se tornado essa pessoa intransigente.

Se te ajudar, olha só: a minha filha dorme comigo na cama 90% do tempo. Bate e apanha na creche, tem dias que não quer jantar e pede bolo, só toma leite se for achocolatado e eu estou há 3 semanas querendo depilar e não consigo. Todos os dias eu tenho dúvidas se estou dando a melhor criação pra ela. Todos os dias eu acho que não.  Aí eu vejo minha lindeza fazendo uma coisa espetacular ou passando por uma fase difícil com a maior leveza e eu dou um sorriso e penso: “cara, alguma coisa eu tô fazendo certo”.

Meu conselho? Respira fundo e seja feliz.

 

Se você nunca viu Caillou, olha aí!

 

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59 Comentários

  1. Carol
    24 de julho de 2013 at 9:46 — Responder

    Amei o artigo! Vou começar meu dia mais leve já! Obrigada!
    :o)

    • Camila
      30 de julho de 2013 at 11:58 — Responder

      Carol depois me diz como estão sendo os seus dias mais leves? Eu te confesso que também resolvi dar um tempo na neurose e está sendo muito mais eficaz!

  2. Viviane
    24 de julho de 2013 at 10:27 — Responder

    Parabéns!Vou compartilhar!

  3. Andrea
    24 de julho de 2013 at 14:28 — Responder

    Adorei sei artigo, é bom saber que todas passamos por isso!

  4. Andrea
    24 de julho de 2013 at 17:17 — Responder

    É bom saber que todas passamos por isso, adorei o artigo.

  5. Mariana
    24 de julho de 2013 at 20:57 — Responder

    tenho procurado ser suficientemente boa para minha filha. Um ensinamento maravilhoso que aprendi com Winnicott e estou tentando aplicar. mães perfeitas não existem, tampouco filhos. Sendo suficientemente boas, ensinamos nossos filhos a conviver com frustrações e criamos deste modo, individuos normais, mais saudáveis, pacientes e verdadeiros…

    • Camila
      30 de julho de 2013 at 11:59 — Responder

      Mariana, obrigada sobre a informação sobre Winnicot. Estou lendo sobre ele, desde o seu comentário e estou gostando bastante. Beijo

  6. 25 de julho de 2013 at 11:35 — Responder

    Incrível, isso deveria ser publicado para todas as mães do mundo pudessem ler! Se nada na vida é perfeito pq as mães teriam que ser? e pq a sobrecarga somente em nós? e os pais não são de carne e osso? não podem contribuir, inclusive sentindo um pouco de culpa de vez em quando? mas eles não sentem!!! Os desenhos deveriam ser mais realistas mesmo, porém eles querem passar o ‘exemplo’ de como deve ser a vida, o ‘padrão’ ideal! Isso é em tudo, o mundo está cheio de ‘perfeitices’, é padrão de beleza, de alimentação, de educação, padrão profssional, enfim, tudo tem uma referência absolutamente impossível de se equiparar! Até na religião temos que nos comparar com Jesus, que foi o que? PERFEITO! Temos que fazer nosso melhor quando dá, e quando não dá façamos nosso pior mesmo, nossos filhos/marido/família tem que compreender que somos humanas e assim eles tbm se darão o direito de enlouquecer de vez em quando! sejamos NORMAIS, perfeitos não!!!

    • Camila
      30 de julho de 2013 at 12:01 — Responder

      Oi Renata, acho que você está certíssima. Nós somos os nossos piores carrascos. Penso muitas vezes que eu mesma estou me cobrando padrões impossíveis de serem alcançados e o mundo a sua volta, incluindo marido e filhos, já acham que você está fazendo tudo certo. Menos maluquice nessa vida, sim senhor 🙂 Beijo

  7. Barbara Nascimento
    27 de julho de 2013 at 13:56 — Responder

    Parabéns pelo texto, e viva nós, as mulheres sem super poderes, imperfeitas e nem por isso menos especiais!!

    • Camila
      30 de julho de 2013 at 11:56 — Responder

      Bárbara, nossa roupa de mulher-maravilha é a mais real de todas né?

  8. Marcela
    31 de julho de 2013 at 9:42 — Responder

    Camila, tudo esta nos olhos de quem ve. Falando até do Caillou mesmo, eu não vejo uma familia perfeita, ontem mesmo assistimos um que a mae dele nao conseguia sequer falar ao telefone porque ele nao parava de pertubar. Porque estou dizendo isso? E porque as maes terminam se cobrando muito e interpretando que as outras estao querendo passar imagem de maes perfeitas quando nem sempre é assim. Eu não fico ofendida ou me sinto diminuida porque uma mãe diz que o filho nunca usou chupeta, acho legal pra eles mesmo que meu filho tenha usado por 3 anos e tenha ficado com os dentes da frente separados. Ele usou porque precisou, eu precisei , foi uma decisao consciente que na nossa dinamica e na nossa familia funcionou. Acho que quando as maes tomam as decisoes pesando pros e contras, com a tranquilidade que fazem o que podem segundo a realidade da familia delas param de se sentir numa competicao por ser a mãe do ano. Eu aprendo com minhas amigas maes, algumas coisas adapto, tento fazer boas escolhas e vou levando.Sinto culpa tambem mas sei que a maioria das coisas que faco com relacao ao meu filho boas ou nao tao boas foram escolhas. Isso te liberta um bocado.

    • Camila
      31 de julho de 2013 at 14:41 — Responder

      Marcela, na medida em que eles vão crescendo a gente também vai resolvendo as próprias neuras né? Beijo

    • 1 de agosto de 2013 at 10:06 — Responder

      Marcela, o que vc disse é perfeito, mas a Camila tem razão (parabéns, lindo texto!), o mundo materno anda neurótico e histérico. Foi narrado em um blog sobre uma mãe foi assediada em um shopping em SP, ao ponto de sair chorando do fraldário pq duas outras mães disseram coisas horríveis a ela quando puxou a mamadeira para dar à filha de 6 meses (só o peito ou porrada!); eu vi outras detonarem uma mãe assim tb em uma página de facebook pró-amamentação, pq ela falou que “não teve leite”. Enfim, muita loucura, muita mãe precisando de Gardenal por aí…!

      • Camila
        1 de agosto de 2013 at 11:33 — Responder

        Helena, eu estava pensando mesmo agora de manhã, que na ânsia de divulgarem suas opiniões e certezas, as pessoas viraram fanáticas e cruéis. Dentro do mundo materno, mas também em qualquer lugar, a qualquer hora, sobre qualquer assunto. Tudo é a forma de falar, de se comunicar e de se expressar. Mas as pessoas, sejam desconhecidas ou amigas, parece que perderam a necessidade de serem gentis uns com os outros. Triste. Obrigada por compartilhar!

  9. Geovana Canola
    31 de julho de 2013 at 13:37 — Responder

    Amei o artigo, isso é exatamente a realidade que estou vivendo, pois tenho um filho de 5 anos e um filha de 1 e 8 meses, e todos os dias tento ser a mulher maravilha.

    • Camila
      31 de julho de 2013 at 14:42 — Responder

      Geovana, espero que o post te ajude a começar os seus dias de forma mais leve, mais desencanada e de preferência pensando um pouquinho que seja no seu bem-estar também. Beijo

  10. Fernanda
    31 de julho de 2013 at 15:42 — Responder

    Juro por Deus q acabei de ler seu artigo com làgrimas nos olhos e o coração infinitamente mais leve… Obrigada!!!

  11. Marta Feldman
    31 de julho de 2013 at 16:17 — Responder

    Camila, parabéns pelo texto-verdade!!!!! Vivemos sempre em busca dessa chamada perfeição….e no fundo, o que precisamos é entender que seres perfeitos não existem. E que é justamente quando nos damos conta disso, que conseguimos dar aos nossos pequenos, os maiores tesouros e deixamos neles as maiores marcas!
    Beijo

  12. Lidiane Iqueda
    31 de julho de 2013 at 16:57 — Responder

    aaaadoreii, realmente mãe eh tudoo igual!!! reclamamos adoidado massss um sorrisinho nos desmontam, realmente comparamos nossos babys , e isso tem q parar!!! o meu vai fazer 2 anos e naum fala nada! (falar falaa, mas na língua dele) e cantar canta o diiiia toooddooo, agora se comunicar com a gnt nada ainda, soh vive no mundinho dele!!! massss desencanei vai falar com a gnt quando for a hora!!! adorooo artigos desse tipo!!! bjooss e parabénsss

    • Camila
      1 de agosto de 2013 at 11:35 — Responder

      Lidiane, se existe uma coisa que estou aprendendo é que cada criança tem seu tempo. Uns falam mais tarde, outros desfraldam mais tarde. Uns sentam super cedo, outros não engatinham e andam direto. A gente presta atenção, é claro, mas relaxar e deixar cada bebê viver a vida a sua maneira é respeitar o sei filho desde sempre. Beijo

  13. Abelardo
    31 de julho de 2013 at 19:06 — Responder

    Seu texto é interessante, pois retrata uma situação que acontece em muitos lares. Minha crítica, e extremamente construtiva, é que as mulheres coloquem nessa lista de prioridade o companheiro, marido, esposo ou congênere. Digo isso porque tenho uma mulher maravilha dessas, tem 3 empregos, 2 filhos, mas nem sempre lembra que tem marido, mas nunca esquece que tem o pai das crianças em casa. Criar os filhos é uma arte, manter o casamento é uma missão impossível. Mas enfim, sejam felizes, cada uma da sua forma.

  14. Patrícia
    1 de agosto de 2013 at 1:03 — Responder

    Ufa, achei uma que pensa como eu! 😉

    • Camila
      1 de agosto de 2013 at 11:33 — Responder

      Patricia, gosto de crer que ainda somos maioria 🙂

  15. Sibele
    1 de agosto de 2013 at 20:37 — Responder

    Ótimo texto! Sem contar nas comparaçoes que hj existem entre os filhos, tipo ” o meu com 2 anos ja faz isso, aquilo e bla bla bla” , acho que nós mães deveriamos nos proteger e não o contrário!

  16. Andréa
    1 de agosto de 2013 at 20:56 — Responder

    Boa noite Camila!
    Eu precisava MUITO ter lido seu artigo neste momento, pois estava (ainda estou?) me sentindo uma porcaria de mãe porque minha filha dorme comigo (ela tem 2 anos), e não tenho energia, até o momento, para faze-la dormir sozinha, na cama dela, no quarto dela…
    chupa chupeta pra dormir, faz mega-manha na pediatra (que é um amor!), enfim… o ideal é mesmo irritante, as vezes… Grande abraço e obrigada por compartilhar suas ideias!

  17. Flávia
    1 de agosto de 2013 at 21:06 — Responder

    Nossa, até chorei!!!
    Minha vida virou de cabeça pra baixo depois da maternidade, e eu tô a mais de 1 ano tentando concerta-la. Mas na verdade, não existe concerto. Existe sim uma nova vida que eu PRECISO E TENHO que aprender a viver. Preciso entender que meu casamento nunca mais vai ser o mesmo e que meu filho não é de vidro.
    Seu texto foi perfeito e um marco na minha vida! Obrigada!

  18. Claudia
    1 de agosto de 2013 at 21:59 — Responder

    Adorei! Ufa! Sempre achei que a mãe do Caillou não existia…agora tenho certeza! rs tenho 2 filhos menino de 10 anos e uma menina de 3.

  19. Mariana
    1 de agosto de 2013 at 22:23 — Responder

    Dificil quem nao se cobra né!!!
    Percebi que nao sou a unica!!!
    Relaxei relaxarei e vou ser feliz!!!!!

  20. Alexandra
    2 de agosto de 2013 at 0:15 — Responder

    Que bom ler esse texto e ver que as pessoas estão percebendo essa loucura coletiva da maternidade atual. Filhos deixaram de ser crianças, cada uma com seu tempo, cada uma com sua personalidade e passaram a ser projetos! Fazem parte de uma experiência que deve que ser necessariamente bem sucedida, pra que a mãe possa provar que é capaz de trabalhar, cuidar da casa, ser feliz com o marido e ainda gerar crianças seguras, autônomas, expansivas, educadas, amorosas e felizes. Criança é gente! E está começando a viver, não é justo carregar todas as nossas expectativas, muito menos as nossas culpas! Sem querer, fiz a melhor terapia que podia ter feito. Levava o meu filho na natação em um horário cheio de avós. E elas me diziam: “Vocês, mães de hoje, são chatas demais! É muita informação… isso pode, isso não pode. No nosso tempo, seguíamos os nossos instintos, sem culpa! E vocês estão aí, fortes, saudáveis…” E ficou tão óbvio que não existe fórmula pra criar filhos… ninguém é igual, o que funciona pra um não funciona pra outro e aí gera uma baita frustração, pra pais e filhos. Criança precisa de limite, de cuidado e de amor, muito amor. E quanto mais próximo, mais amigo e mais humano a gente consegue ser, melhor. Mas sem neuras, peloamor…

  21. Tálita Floriano
    2 de agosto de 2013 at 16:53 — Responder

    Parabéns pelo texto… Tava precisando ler algo assim ultimamente. =P

  22. 3 de agosto de 2013 at 8:54 — Responder

    Adorei o post, difícil não se identificar. A minha filha quando não consegue dormir é bem do jeitinho do Cailou, pede água, quer ir no banheiro, pede pq contar mais uma historinha… hehehehehe. Eu já me cobrei, quem nunca? Hoje procuro me policiar, quando vejo que estou entrando no circulo vicioso do deve ser piso no freio. Fiz um post sobre famílias perfeitas a algum tempo atrás, é incrível como existe essa cobrança, mesmo sabendo que essa perfeição não é real. Sou a melhor mão que posso ser.
    Bjs

  23. Sergio Brandão
    3 de agosto de 2013 at 10:21 — Responder

    Prezada Camila,
    Permita-me discordar radicalmente do seu artigo, por sinal muito bem escrito… É claro que não existem famílias, nem mães, nem pais, nem filhos, nem pessoas perfeitas(os)… Mas que há algumas e outras(os) muito mais atentas(os) e amorosas(os) com os filhos, que dedicam a eles o tempo e a atenção que eles precisam e merecem, não tenho a menor dúvida… Será que alguém tem??? Seu artigo é uma ótima justificativa para mães largarem os filhos sozinhos com babás ou em creches, quando deveriam entender, que a maternidade, assim como a paternidade, exite tempo e dedicação e devem ser exercidas com amor e responsabilidade. Quem não tem condições mínimas de dar isso aos filhos, não deveria ter filhos… Imagino que seja essa uma das causas de esteja crescendo a cada dia o número de jovens desajustados, desmotivados para o trabalho produtivo e que buscam nas drogas a válvula de escape para sua dor e suas frustrações existenciais… Sugiro que releia e reescreva seu artigo… A família “ideal” (e chata) do Cailou certamente não serve é modelo, mas conheço muitas famílias (e mães) – reais – como a minha própria, que estão muito mais próximas da “perfeição” do que outras…

    • Camila
      4 de agosto de 2013 at 23:25 — Responder

      Oi Sergio, claro que você pode discordar de mim. O que seria do mundo se todo mundo tivesse a mesma opinião? Eu acho que meu artigo está longe de incentivar negligência nas mães, pois acho que existe um looooongo caminho entre a mãe ser uma neurótica fanática e ela ser negligente com o próprio filho. São dois caminhos muito extremos. Este post foi pensado nas mães que vivem vidas múltiplas e se dividem entre ser mãe, mulher, filha, amiga, profissional e esposa de alguém. Não conheço uma mulher que consiga exercer todas essas facetas da sua vida de forma competente e ainda por cima sozinha, sem ajuda de outras pessoas (seja uma babá, ou uma avó etc) ou sem colocar filhos nas escolas. E morrem de culpa, achando que não estão fazendo o suficiente, ou estão agindo errado. Pelo que você disse em seu comentário, parece que você afirma que, se uma mulher tem babá ou coloca seu filho em uma creche, ela é automaticamente negligente, é menos mãe (ou pai) e não deveria ter filhos. E é aqui que eu discordo radicalmente de você. O mundo não acaba porque as famílias têm filhos. Essas pessoas continuam a viver, têm trabalhos, amigos, programas que curtem fazer, atividades extracurriculares diversas. Eu acho que o ideal, na verdade é tentar buscar um equilíbrio nas múltiplas facetas da vida e viver um pouco sem o excesso de culpa materna, que uma constante na vida das mulheres. Nós já somos julgadas o suficiente e de forma muito cruel por nós mesmas e pelos outros por conta de nossas decisões de vida. E é isso que eu tento passar no meu texto. A analogia com o desenho do Caillou, na verdade é uma brincadeira, pois no desenho eles sempre parecem em sintonia, todos têm tempo para tudo e mesmo as frustrações do Caillou são resolvidas rapidamente, com uma única conversinha.

  24. Barbara
    3 de agosto de 2013 at 12:42 — Responder

    Camila, dá um alívio grande em saber que não estamos sozinhas nas nossas neuroses, será que existe neurose de pai?, aqui em casa mãe tem que ser inclusive office girl do pai! Mas eu ando com muita culpa porque minha filha de 2 anos ainda mama no peito, livre demanda mesmo, se ela quer mamar ela mama!! Assim mesmo, onde quer que eu esteja, ou com quem, ela mama! Eu estou me sentindo um E.T. porque as mães próximas a mim não amamentaram tanto, não pararam de trabalhar por tanto tempo, não carregam seus filhos para TODOS os lugares, só eu!! E meu marido quer a vida de antes do bebeê mas com o bebêe, o que está beirando o impossível! Estou me inspirando em você e tentando ter um dia, pelo menos 1, mais leve!!

  25. Barbara
    3 de agosto de 2013 at 12:43 — Responder

    Camila, dá um alívio grande em saber que não estamos sozinhas nas nossas neuroses, será que existe neurose de pai?, aqui em casa mãe tem que ser inclusive office girl do pai! Mas eu ando com muita culpa porque minha filha de 2 anos ainda mama no peito, livre demanda mesmo, se ela quer mamar ela mama!! Assim mesmo, onde quer que eu esteja, ou com quem, ela mama! Eu estou me sentindo um E.T. porque as mães próximas a mim não amamentaram tanto, não pararam de trabalhar por tanto tempo, não carregam seus filhos para TODOS os lugares, só eu!! E meu marido quer a vida de antes do bebê mas com o bebê, o que está beirando o impossível! Estou me inspirando em você e tentando ter um dia, pelo menos 1, mais leve!!

  26. Lilian
    3 de agosto de 2013 at 15:51 — Responder

    Nossaaaaaaaaaaa, amei tudo que acabei de ler,eu me acho as vezes um monstro por educar meu filho da pir maneira possível(isso diz minha mãe), eu sou uma mãe muito tranquila, deixou meu filho brincar descalço, as vezes ele toma banho a tarde volta a brincar depois vai ver televisão e acaba pegando no sono e eu não o acordo pra tomar outro banho, as vezes sou criticada quando deixou essas coisas acontecerem, minha mãe já chegou ao ponto de me dizer que preciso levar meu filho ao psicólogo pois ele faz muita bagunça e briga o tempo todo, já chorei de raiva pelas pessoas dizerem que educo ele mal, pois ele fez birra no shopping com todo mundo olhando. Depois que li esse artigo vi realmente que eu não sou a única que passo por isso, e que não tem nada de errado no que faço, sou muito feliz com o meu filho e adoro quando ele se sente bem em andar se chinelo as vezes e fica o dia inteiro com o pijama de dormi, quando pega no sono no sofá e dormi sem o ultimo banho. Só nos mães sabemos q luta que e criar um filho e educar. Amei o artigo.
    P.s estou 3 semanas sem fazer a unha com o esmalte pela metade.. rs

    • Camila
      4 de agosto de 2013 at 23:03 — Responder

      Muitas pessoas criariam nossos filhos de maneira diferente da nossa, a verdade é que as pessoas vivem de forma bem heterogênea. A diferença entre o mundo e a sua mãe, é que sua mãe provavelmente tem menos “tato” pra falar com você. Com o tempo, na medida em que os bebês crescem, as nossas mães também dão uma relaxada. Não se estresse muito. Não sei a idade do seu filho, mas birra precisa ser tratada com firmeza e paciência. e uma boa dose de rotina. Beijo

  27. Renata
    4 de agosto de 2013 at 19:19 — Responder

    Perfeito. Só tem uma situação que não acho legal essa de relaxar e viver sem culpa, que é quando se relaxa demais, tipo entregar totalmente o filho para babá 24 horas por dia, sábado, domingo, feriado, viagens, sempre. Isso não acho bacana, claro que não falo para as mães e os pais, mas é um ponto que estou trabalhando em mim mesma, pra não julgar as pessoas que fazem isso. Acho que, por mais que a gente faça tudo “errado”, pelo menos estamos TENTANDO! O triste é quando a gente enxerga a carência dos filhos dos outros, mas não pode falar nada, afinal não temos nada com isso mesmo…e aí lê nas revistas isso de “culpa zero”, e um tanto de gente achando totalmente normal a terceirização.

    • Camila
      4 de agosto de 2013 at 22:57 — Responder

      Oi Renata tudo bem? Acho que existe um longo caminho entre você não surtar com pequenezas e você ser negligente com seu filho. São conversas muito distintas. Sobre a terceirização da criação de um filho, eu concordo que é um assunto complicado. De vez em quando os pais não tem opções, de vez em quando não tem estrutura emocional, de vez em quando é negligência. Se existe uma coisa que eu venho aprendendo nos últimos 3 anos é que cada pessoa sabe onde aperta o seu calo e que nós não devemos julgar. Essa carência dos filhos, seus ou alheios, também é uma coisa complicada. Minha filha, de vez em quando, está super manhosa e carente, mesmo comigo ao lado 24hs daquele dia. Eu tento me colocar diariamente na vida das pessoas e mais importante, tento mesmo ser uma boa mãe pra minha filha. Beijo e fique bem.

      • Renata
        5 de agosto de 2013 at 8:55 — Responder

        Camila, acho que vc não entendeu, eu concordei com seu texto! Só chamo atenção para o fato de, mesmo sem ser esta sua intenção, algumas pessoas poderem usar sua argumentação para entrar no “culpa zero”, que acho perigoso. Ter babá é uma coisa; entregar 24 horas, 7 dias por semana para as babás é outra. Só acho triste. A carência da criança terceirizada é muito diferente da manha de carência que a criança faz com os pais. Sim, eu tento me colocar no lugar das pessoas, e ver que cada um tem suas dificuldades. Mas não consigo não sentir essa tristeza quando vejo uma mãe que não trabalha, e mesmo assim tem 3 babás, e a criança me abraçar e perguntar pra mim por quê eu brinco com minhas filhas todos os dias, porque a mãe dele nunca brinca. Difícil ficar indiferente a isso…

        • Camila
          5 de agosto de 2013 at 12:36 — Responder

          Haha Renata eu tinha percebido que estávamos falando da mesma coisa. Acho que viver com culpa zero é uma delícia, é meu objetivo. Negligência é outra. E a pessoa que é negligente nem entra em sites cuja premissa é servir às mães 🙂 Então permaneço tranquila. E nessa vibe de sermos pessoas melhores e mães melhores, você chegou a ler esse post aqui? http://www.mundoovo.com.br/2013/non-violent-communication/ Tô super me inteirando mais, tentando estudar mais e seguir por esse caminho. Beijoca

  28. jocileia
    5 de agosto de 2013 at 7:45 — Responder

    obrigada por fazer a vida de nós mães muito mais fácil ! e ser mãe é viver com culpa ! bjs muito bom o artigo .

  29. Priscila
    5 de agosto de 2013 at 12:19 — Responder

    Exatamente isso! Adorei o texto!

  30. 5 de agosto de 2013 at 15:04 — Responder

    Oi Gurias,lendo esse texto agora,senti um grande alivio.Como pode nos maes termos os mesmos sentimentos e essa sensaçao de sempre estar faltando algo,que poderiamos ter feito melhor.Impressionante!!Minha filha tem 1 ano,nunca chupou bico,mas chupa o dedao,e vcs nao sabem a pressao q sofro por parte das outras pessoas e pediatras,falando q vai estragar os dentes,q é feio,que o dedo vai encolher.E agora com esse texto parei e pensei,e o que eles tem a ver com isso??Se o dedo tranquiliza ela,e nao atrapalhou em nada,pq todo esse estresse.Pq nao esperar a hora certa(quando ela entender)pra conversar com ela sobre esse dedo..Agente precisa relaxar mesmo e dar menos ouvidos as opinioes alheias..bjsss meninas

    • 13 de agosto de 2013 at 20:54 — Responder

      Nem fala, a minha também chupa o dedinho quando está com sono e eu até gosto, porque sei que é a hora de colocar ela na cama, as pessoas ficam enchendo o saco por causa do dedo da MINHA filha, cada um que cuide do seu filho, eu não ligo, ela é pequena e o dedinho é uma coisa dela, não vou tirar isso…

  31. Flavia
    13 de agosto de 2013 at 9:01 — Responder

    Adorei! Lamento por essas mães radicais perfeitas.

  32. Eleonora
    13 de agosto de 2013 at 13:42 — Responder

    Você se esqueçou de dizer que a mãe perfeita também teve um pós parto sarado. E, nesse ponto, uma coisa pode servir de consolo na família do Caillou: a mãe dele é gordinha… Tá vendo? Ninguém é perfeito!

  33. 13 de agosto de 2013 at 20:51 — Responder

    Só vou te contrariar na parte de que mãe que é boa fica em casa com os filhos, eu resolvi vir trabalhar em casa para cuidar dos meus filhos e da casa e sofro um preconceito danado por isso. Chamo de preconceito pois não vejo de outra forma. Quando digo que vou ficar com meus filhos até eles terem 4 anos e aí colocá-los na escola vejo as pessoas boquiabertas, tentando me convencer que estou errada, que lugar de criança é na creche, que eu não posso ficar com eles, que eu “não vou ter saco”. Sou mãe, quando resolvi engravidar eu quis ser mãe e criar meus filhos, não quero que sejam filhos de babá, de vovó, de vizinha, eu quis isso, estou amando, é a melhor coisa que fiz em toda minha vida, pois ela passa rápido, as crianças vão crescer, eu que vou criar e depois vou ter todo o tempo do mundo só para mim…

  34. 24 de julho de 2014 at 9:05 — Responder

    Nossa, assino embaixo, Camila!!! Precisamos nos aceitar como somos, e ter consciência que mesmo dando o melhor de nós, nem sempre tudo dá certo, nem sempre é o “politicamente correto”. Uma família é diferente da outra, cada mãe/pai tem seus desafios e dificuldades, não existe um modelo perfeito de família, de forma de educar os filhos, isso é ilusão. O importante é amá-los e buscar dar o melhor de nós a eles. No mais, as coisas se ajeitam.

  35. Jocelia
    25 de novembro de 2014 at 22:17 — Responder

    Perfeito!!! Me identifiquei muito com o desfralde, a fala e até a depilação kkkk
    Não existe perfeição, existe aquilo q podemos ser melhor seja na hora do sono, na alimentação… Emfim cada mãe faz o seu melhor !! Bjus

    • Camila
      26 de novembro de 2014 at 14:57 — Responder

      Jocelia, quando todas nós tivermos a noção de que somos apenas humanas, tudo será mais fácil!. Beijo

  36. Juh
    25 de novembro de 2014 at 22:46 — Responder

    Imprimindo 3 cópias…. Uma pra mim,outra pro marido e uma pro filho mais velho (13 anos).A caçula ainda não sabe ler (1 ano). Muitas saudades das minhas antigas unhas impecáveis….

    • Camila
      26 de novembro de 2014 at 14:57 — Responder

      Hahaha Juh, cola na geladeira e manda todo mundo repetir feito mantra! Beijoca

  37. Agnês
    1 de junho de 2015 at 17:13 — Responder

    Meus Deus como me sinto aliviada em ler histórias tão parecidas com a minhas…pq as vezes sinceramente me sinto um lixo de mão por não atender às expectativas de todo mundo (marido, vó, papagaio do vizinho). Obrigada por compartilhar!!!

    • Camila
      2 de junho de 2015 at 12:55 — Responder

      Agnês obrigada! Saber que todas as famílias têm suas mazelas dá um alívio de saber que tá todo mundo no mesmo barco. Toca aqui! /0

  38. fran
    2 de setembro de 2015 at 22:59 — Responder

    Hahahahaa ótimo texto 😂 me sinto mais normal.

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Minha família não é perfeita!